Quem é o pai da pintura brasileira?

Dizer que há um “pai” será ir longe demais… O Brasil tem muitos pais na pintura, nomes conhecidos que beberam do passado, renovaram, inventaram, criaram e recriaram, com o seu toque pessoal e daí deram abertura a novas criações. Filhos e pais. Filhos: pois não podem ignorar as fontes do passado. Pais: pois abriram, e ainda abrem, caminho para o futuro.

Há quem considere que a pintura no Brasil nasceu com os exploradores europeus e que a cultura indígena não teve qualquer influência na evolução futura, o que não será totalmente correto, pois apesar de não existir uma prática da pintura como hoje é considerada, não deixou de ter a sua presença, mesmo que aproveitada muito depois.

Existem diversos movimentos e escolas no que toca à pintura, ao longo do tempo. Temos uma evolução cruzada que nos trás aos dias de hoje e que continuará, através da sua história, a marcar presença em futuras criações.

A pintura evoluiu, nem sempre de forma paralela, desde os indígenas, europeus, africanos e posteriormente através de povos de todo o mundo. Essa evolução não é linear, mas encontra-se a presença destas influências em trabalhos realizados ao longo dos tempos.

baile-popular-di-cavalcantiTemos quadros que retratam ou utilizam a pintura corporal indígena nos seus temas, nomeadamente Marcello Nitsch: Auto-retrato. Quadros que incorporam e espelham a cultura africana, nomeadamente Di Cavalcanti: Samba. Influências estrangeiras foram incorporadas na cultura brasileira, encontradas nomeadamente em alguns trabalhos de Tarsila do Amaral ou Anita Malfatti. Portinari, um dos mais prestigiados artistas brasileiros, retomou composições históricas, num estilo moderno. Tantos outros exemplos poderiam ser dados.

Na verdade a cultura e a pintura são movimentos, como tais estão em constante evolução e revolução, interlaçando-se ao longo dos tempos, usando o passado e apresentando inovação, que tem no Brasil uma identidade muito própria, com valor reconhecido internacionalmente.